Fiz tudo como meu planejado: cheguei, abri a geladeira, tomei o refri sem gás, comi um pedaço de pão dormido, liguei a TV, quase cochilei e só depois entrei debaixo do chuveiro. O banho me revigorou, estava pronto pra me jogar na cama e só acordar no dia seguinte. Sacodi o cabelo, tirei o excesso da água, e peguei a toalha.
Opa, cadê a toalha? Ela estava lá, balançando sequinha no varal, bem longe de mim e bem perto do campo de visão dos vizinhos do prédio ao lado.
E agora? Opções:
- Me enrolo na toalha de rosto;
- Saio correndo peladão pelo corredor até chegar no quarto;
- Sento na privada e fico esperando o vento me secar.
Escorreguei e caí no chão. Sabia que andar molhado não ia dar certo. Do chão frio, olhei para fora da varanda e me senti uma atração de zoológico. Alguns curiosos olhavam pro meu apartamento, riam, tapavam os olhos, se espantavam e gritavam “gostoso” (gritaram mesmo!).
Peguei a toalha, fui pro quarto decidido só sair de lá daqui a dez anos,
quando a vergonha passasse. Mas logo passou. As atenções se voltaram para a vizinha do 401 que foi flagrada quase nua no elevador. E ninguém se lembrava mais de mim.
